Bárbara Fernandes  

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moda, spwf - São Paulo Fashion Week 2016 traz desfiles inovadores e o início da desconstrução do padrão estético imposto pela moda

Segunda-Feira, 31 de Outubro de 2016
Marcador: moda, spwf Publicado por: Bárbara

 Em sua 42ª edição, o evento recebeu em sua passarela o espelho do povo brasileiro e sua diversidade

Por: Bárbara Fernandes

 
    Caracterizadas pelo clássico padrão estético, as semanas de moda ao redor do mundo sempre apresentaram em suas passarelas, modelos altas, magras e dentro de todas as medidas impostas pelo mundo da moda. Porém, a São Paulo Fashion Week (SPFW) já há tempos apresenta algumas peculiaridades: foi a primeira a transmitir desfiles ao vivo, a primeira a se preocupar com a questão da sustentabilidade e do consumo consciente, e sempre exigiu que todos os desfiles possuíssem afrodescendentes e indígenas nos castings.

Imagem: Divulgação

 

    Para sua edição desse ano, algumas marcas fugiram do comum e trouxeram a questão da representatividade, tema recorrente em nossa sociedade, para dentro desse universo. Por instantes, o evento deixou de ser um acontecimento elitista e passou a dar voz a diversidade.

    A começar pelo desfile de estreia da marca LAB – braço fashion da grife Laboratório Fantasma, criada pelos irmãos rappers, Emicida e Evandro Fióti – que trouxe em seu casting 90% de modelos negros, outros pluz size, cabelos black powers e também um portador de vitiligo. Segundo Emicida, "Fiz com a passarela o que eles fizeram com a cadeia e com a favela. Enchi de preto". A coleção intitulada “Yasuke” (samurai negro que rompeu paradigmas no séc. XVI) teve direção criativa de João Pimenta e apresentou a moda street style com a incorporação de elementos da cultura japonesa e africana.

Celebração da cultura afro e do rap nacional, o desfile contou com apresentação ao vivo dos rappers - Foto: Charles Naseh

 

“Entende-se a beleza de uma maneira pobre, a gente quis enriquecer isso, colocar pessoas que encontro na calçada todos os dias. A gente perde quando não reconhece essa beleza” disse Emicida.

 

    Outro destaque do evento vai para Ronaldo Fraga, que convocou 28 transexuais para cruzar a passarela com suas criações. O estilista mineiro aproveitou do evento internacional e do tema de sua coleção, “El Dia Que Me Quieras”, para o verão de 2017 para escancarar uma absurda realidade: o Brasil é o país com o maior número de assassinatos de transgêneros em todo mundo. Segundo sua assessoria de imprensa, o estilista procurou celebrar a vida, a liberdade e a diversidade do ser humano, além de homenagear a população trans.

Foto: Marcelo Soubhia/Agência Fotosite

 

    "Ronaldo deu voz a quem não tem voz, deu visibilidade a pessoas que são invisíveis. Todas as modelos do desfile eram trans e puderam contar uma história independente do seu gêner. Então elas mostraram uma roupa com beleza, feminilidade e dignidade, como qualquer outra modelo faz. Foi muito lindo", disse a top Carol Marra, que teve esse como seu último desfile da carreira.







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